Gêmeos prematuros extremos recebem alta após 112 dias de internação em SC

Letícia, mãe dos meninos, deu entrada no hospital de Xanxerê, no Oeste do Estado, no dia 14 de dezembro com 26 semanas de gestação.

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Foto: Hospital Regional São Paulo/Divulgação
Foto: Hospital Regional São Paulo/Divulgação

Depois de 112 dias internados na UTI Neonatal do HRSP (Hospital Regional São Paulo) de Xanxerê, no Oeste de Santa Catarina, os gêmeos Benjamim e Dominic Demarchi receberam alta na última quarta-feira (7). Os bebês nasceram prematuros extremos com 26 semanas de gestação e conquistaram a vitória da vida.

Leticia Demarchi, mãe dos bebês, que mora em Formosa do Sul, também no Oeste do Estado, deu entrada no hospital no dia 14 de dezembro. Com apenas 26 semanas, precisou realizar o parto de emergência. Segundo ela, a gestão foi tranquila, porém com alguns episódios de perda de sangue desde a oitava semana de gestação.

“Fiz repouso e exames, até que na entrada para o quarto mês tive uma grande perda de sangue. Foi constatada uma infecção urinária, a qual sofri a gestação inteira, mas sempre tratando”, contou.

A mãe dos gêmeos é casada com Jhonatan Demarchi há seis anos. Por ter ovários policísticos, a possibilidade de engravidar era quase impossível. A gestação foi um dos mais belos sustos.

“Não acreditamos de primeira e fizemos exame de sangue para ter certeza. Quando descobri que eram gêmeos, então, o susto foi maior ainda. Jamais pensei nessa possibilidade, mas aceitamos muito bem a novidade”, contou a mãe de primeira viagem.

Segundo ela, a família amou a descoberta da gravidez. “Para meus pais e sogros são os primeiros netos, primeiros bisnetos, sobrinhos, então, são os pioneiros da família”, acrescentou Letícia.

Foto: Hospital Regional São Paulo/Divulgação
Foto: Hospital Regional São Paulo/Divulgação

Parto normal

O parto de Letícia foi normal e a mãe não teve nenhuma sequela, se recuperou bem e rápido sem nenhum tipo de intercorrência. “Foi um misto de sentimentos, medo de perder eles, insegurança, falta de informações. Eu sabia da possibilidade de nascerem prematuros, mas jamais pensei que nasceriam tão antes do tempo”, relatou a mãe.

A alta tão esperada foi comemorada pela equipe de profissionais da saúde e, em especial, pelos pais de Benjamin e Dominic. Os pequenos receberam do hospital o Certificado de Vencedores após toda a experiência da UTI Neo. Agora, o momento é de aproveitar esse momento de mãe e filhos em casa, ao lados dos familiares.

Foto: Hospital Regional São Paulo/Divulgação
Foto: Hospital Regional São Paulo/Divulgação

“Depois de 112 dias, o Benjamin e o Dominic ganham alta da UTI Neo. Foi com certeza a resposta da minha oração diária. Ver eles saindo bem e com saúde não tem preço. Eles enfrentaram muitas batalhas e venceram todas com muita garra. Ir para casa é sentir meu maternar realmente começar, é ver que cada dia valeu a pena”, afirmou.

Durante o tempo que permaneceram hospitalizados, os gêmeos e a família receberam todo o cuidado e suporte da equipe multiprofissional do setor. Dominic nasceu com 810 gramas e Benjamim com 710 gramas e saíram do hospital com 3,050 kg e 3,110 kg, respectivamente.

“Tanto para eles como para a mãe temos um sentimento de vitória e admiração por tudo o que ela passou com eles. Agora, levando os bebês para casa, é um sentimento de muita alegria”, destacou a enfermeira da UTI Neo, Géssica Stocco.

Prematuridade extrema

A enfermeira explicou que a prematuridade extrema ocorre quando os bebês nascem de 26 a 29 semanas de gestação. Bebês nascidos da 30ª até a 33ª semana são considerados prematuros moderados. Entre a 34 e 36 semana prematuridade leve e após isso o bebê já se encontra em condições adequadas para o nascimento.

Segundo ela, devido a prematuridade, os órgãos e sistemas não estão formados e com suas funções adequadas. “Essa imaturidade afeta principalmente a parte pulmonar e neurológica. Além do risco de vida não ser descartado em nenhuma fase da prematuridade”, esclareceu.

Géssica pontuou que os casos de nascimentos de prematuros extremos não são exclusivos de gemelares, porém é sim um fator predisponente.

“O nascimento prematuro ocorre devido o início do trabalho de parto precoce que pode ocorrer por algum fator biológico materno, infecção materna, idade em extremos materna”.

Foto: Hospital Regional São Paulo/Divulgação
Foto: Hospital Regional São Paulo/Divulgação

Uma lição de superação

Com relação aos gêmeos Dominic e Benjamin a enfermeira relatou que os pequenos super-heróis necessitaram de ventilação mecânica por longo período e transfusões sanguíneas.

“As semana foram passando e eles foram ficando mais e mais fortes. Sob o olhar amoroso e cheio de esperança da mamãe Letícia os gêmeos cresceram e foram mostrando sua garra”, afirmou.

Ambos passaram por uma cirurgia cardíaca. Um deles, inclusive, precisou implantar uma válvula para correção de hidrocefalia. A recuperação ocorreu sob os olhares atentos de toda a equipe multiprofissional que se alegrava imensamente a cada mínimo novo aprendizado.

Para eles, cada chorinho era uma vitória. “Nem tudo são flores, a prematuridade extrema trás incerteza, medos, mas trás acima de tudo uma lição de superação. Foram tantos colinhos, cantigas cantadas, conversar a beira das incubadora, que assim como todos que já passaram pela UTI Neo, levaram um pouquinho de todas a ‘tias’. Agora, só torcemos para que eles cresçam cheios de saúde e aproveitem a vida que eles tanto lutaram ao lado da mamãe maravilha Letícia”, concluiu a enfermeira.

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ND +

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