MP revela como dentista teria sido morto em Fraiburgo

E a Polícia Civil quer confirmar se o dedo arrancado da vítima pode ter sido usado para fazer saque em caixa eletrônico.

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MP revela como dentista teria sido morto em Fraiburgo

O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) denunciou um homem pelo crime de latrocínio contra o dentista em Fraiburgo e pelo transporte de droga para consumo pessoal. A Justiça já recebeu a denúncia. "Foi um crime bárbaro, de grande repercussão na sociedade, cujo autor deve ser severamente responsabilizado", diz a Promotora de Justiça da 1ª Promotoria da Comarca de Fraiburgo, Fernanda Morales Justino.

Como a vítima foi morta

O fato aconteceu na madrugada da última sexta-feira, 16 de setembro, no apartamento do dentista. Segundo o MP, ele jantou com o réu, se deitou e foi atacado com um canivete. O primeiro golpe foi dado no pescoço e, na sequência, vários golpes foram desferidos no rosto, no tórax, no abdômen, no braço e na mão.

Em seguida, o réu roubou cartões bancários, diversos bens e valores e decepou um dedo do dentista.

Por volta das 7h30min, o réu deixou o local com o carro da vítima levando os bens e valores roubados. Ele passou em uma agência do Banco do Brasil e sacou mais R$ 2 mil com as impressões digitais do dedo decepado.

Colegas de trabalho notaram a ausência do dentista e acionaram a Polícia Militar, e ele foi encontrado morto no apartamento. A placa do carro da vítima foi informada a órgãos de segurança de todo o estado e o veículo foi localizado em Ibirama, a 190 quilômetros de Fraiburgo, por volta das 13h.

O acusado foi preso em flagrante com os objetos roubados, dinheiro, o canivete usado no crime, um cigarro de maconha e o dedo da vítima enrolado em um guardanapo. Ele teve a prisão preventiva decretada na audiência de custódia e responderá ao processo preso.

Investigação

Em entrevista ao G1, a Polícia Civil de Fraiburgo informou que aguarda imagens das câmeras de monitoramento da agência bancária para confirmar como ocorreu o saque.

Além de mais informações sobre o saque, a Polícia Civil também quer esclarecer outras circunstâncias relacionadas ao crime, como se a vítima era familiarizada com o criminoso. "A colega de quarto não conhecia o suspeito. A vítima não tinha o hábito de sair, a rotina era trabalho e casa", disse o delegado.

A polícia também aguarda o resultado de alguns laudos, como do local do crime e do celular do suspeito. "Através da perícia, teremos mais elementos para desvendar o tipo de relação que eles [vítima e acusado] tinham".

Biometria

O assassinato do dentista gerou dúvidas se a parte do corpo de um morto poderia ser usada para sacar dinheiro em um caixa eletrônico. O g1 conversou com o perito da Polícia Científica de Santa Catarina Márcio Bolzan, que afirmou que isso não é possível com a tecnologia moderna atual, só poderia ocorrer com sensores antigos.

Em nota, o Banco do Brasil afirmou que os terminais de atendimento "estão equipados com o que há de mais moderno em termos de biometria. Não é possível realizar transações com as características apresentadas".

O perito explicou que o uso do dedo de uma pessoa morta só é possível com tecnologia mais antiga. “Se você pegar um sensor que funcione só pela difusão da luz, mesmo depois de morto vários dias você conseguiria fazer esse reconhecimento biométrico”, afirmou.

Isso não é possível, porém, com tecnologia mais avançada.

"Por exemplo, sensores modernos de aparelhos celulares já usam ultrassom, então vai depender de ter vida, ou próximo do momento em que estava vivo, para conseguir fazer um desbloqueio com o dedo da pessoa morta", disse o perito.

Como exemplo de uso criminoso de tecnologia antiga, ele citou o caso de 2013 de médicos que usaram dedos de silicone para fraudar um ponto eletrônico. Segundo Bolzan, o aparelho usava sensor à base de luz.

Fonte:

Com informações do MPSC e g1

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